Bárbara Fonte, entrevistada por Paula Parente Pinto
A primeira entrevistada é Bárbara Fonte (Braga, 1981), a mais jovem deste conjunto de artistas a fazer performance, utilizando fotografia, vídeo ou ao vivo. A sua integração numa série com um carácter mais histórico demonstra um renovado e expansivo interesse pela performance. Resultado de um trabalho de investigação em parceria com a artista, as entrevistas reúnem testemunhos orais da revisão de documentos de vários formatos, com diferentes características e mediadores de múltiplas perceções, realizados com objetivos plurais, ao serviço da comunicação, da memória e diretamente experienciados como meios de criação. A inclusão da sua obra questiona um aparente truísmo acerca da performance como forma de expressão artística que depende da confrontação com o público, que se realiza através da presença física do artista, e que só existe em tempo real. Para Bárbara Fonte, a performance começa com autorretratos encenados e captados fotograficamente no espaço privado, e em vídeos realizados sem a presença do público, conquistando um espaço que já não está isento de visibilidade, mas que assegura a sua existência sem se esgotar no contexto e no tempo da ação ao vivo. Fixar alguns destes momentos de uma arte efémera em fotografia e vídeo, permite construir conhecimento e experiência através da comparação de diferentes momentos e materiais, e acompanhar as múltiplas transformações do percurso de um artista e do contexto em que lhe é permitido apresentar as suas criações. Estes olhares diagonais permitem reequacionar muitos materiais históricos da performance, que de outra forma teriam sido completamente obliterados, recuperar releituras da história, e validar contra-histórias. Permitem ainda atribuir uma nova relevância a materiais visuais e culturais que não eram reconhecidos enquanto obras de arte, permitindo trazer outras materialidades e processos criativos ao debate contemporâneo. A investigação e curadoria em performance tem-me permitido encontrar novas metodologias de trabalho, explorando a subjetividade da escrita, perseguindo o cruzamento disciplinar, e interrogando os meios de acesso aos conteúdos enquanto chaves de interpretação do que vemos. A publicação destes materiais fixa, através do diálogo, algum do trabalho desenvolvido no Performing the Archive (Porto), nomeadamente a investigação, acompanhamento e suporte na produção e apresentação de obras de vários artistas. Entrevistar Bárbara Fonte foi também uma oportunidade de conhecer o seu processo íntimo de escrita que mediou a entrevista, concretizada através da correspondência que trocámos entre setembro de 2025 e junho de 2026.