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Grupo Cores/ ou Grupo de Intervenção do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (GICAP), Intervenção no IV Encontro Internacional de Arte em Portugal, Caldas da Rainha, Agosto 1977.

TEXTO-MANIFESTO "Partindo do mesmo ponto ou de pontos afastados, as cores dirigem-se para o mesmo lado: o vermelho segue a rua vermelha: o laranja segue a rua laranja; o amarelo segue a rua amarela; o verde segue a rua verde; o azul segue a rua azul; o violeta segue a rua violeta; o preto segue a rua preta... e encontram-se. Encontram-se num mesmo espaço visual. Cada cor transporta um saco da sua cor. Cada cor abre o saco da sua cor e tira objectos da sua cor. O vermelho começa a ler um livro vermelho; o laranja começa a ler um livro laranja; o amarelo começa a ler um livro amarelo; o. verde começa a ler um livro verde; o azul começa a ler um livro azul; o violeta começa a ler um livro violeta; o preto começa a ler um livro preto. O vermelho escreve: o mundo será vermelho; o laranja escreve: o mundo será laranja; o amarelo escreve: o mundo serºa amarelo; o verde escreve: o mundo será verde; (...) Cada cor utiliza apenas a sua cor. Cada cor pretende impor a sua cor. Cada cor mostra em todas as direcções um cartaz da sua cor. Cada cor espalha aos quatro ventos imagens e palavras da sua cor. Cada cor distribui jornais da sua cor. Cada cor recolhe assinaturas da sua cor. Cada cor reza orações da sua cor. Cada cor afasta-se não se sabe para onde, levando atrás de si o cortejo da sua cor e deixando rastos da sua cor. Estava a discussão no auge. De repente levantou-se uma pessoa completamente aul empunhando uma bandeira azul. E leu um papel azul previamente escrito a azul: 1Não. Hoje já não pode haver qualquer equívoco. A polémica do objecto artístico deixou de caber na polémica do contexto actual e actualizante. Não tenhamos dúvidas. Só há uma arte: a arte do azul. Os artistas discordantes afogam-se na masturbação impotentemente intelectual. Só há a arte do azul. Os pintores não azuis já não sabem pintar; os desenhadores não azuis já não sabem desenhar; os escultores não azuis já não sabem esculpir. Só há uma via que não deixa qualquer dúvida: pintem só azule façam esculturas só azuis. A definição correcta da arte será então atingida. Um acto artístico é um acto que fatalmente tem que ser azul. (...) Cadernos de Arte Moderna Portuguesa, Grupo Cores, Nº4, 1978.

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Língua
Português
Direitos
Acervo João Dixo (slides duplicados em 2001 e digitalizados)