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Grupo Cores/ ou Grupo de Intervenção do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (GICAP), Intervenção no IV Encontro Internacional de Arte em Portugal, Caldas da Rainha, Agosto 1977.

"Entrou o CAPC na galeria de Belém, espaço da Alternativa Zero, representado por um pequeno, mas cabalístico agrupamento, já mencionado e identificado em cores e pessoas. Chegamos juntos mas cromaticamente diferenciados, destacados, separados. E mais separados ficámos num grande círculo central, rodeados do público que que cada um de nós tentou captar, seduzir, associar, partidarizar... fazendo, durante longo tempo e dos mais diversos modos e modas, a fanática propaganda do, por exemplo, azul, escrevendo azul, louvando o azul, gritando azul, bebendo deliciadamente azul, soprando e lançando confetes azuis, erguendo ícones azuis, ostentando um espelho azul reflectindo as pessoas em azul, num sorriso azul ..., enquanto ao mesmo tempo, cada uma das outras cores propagandeava a sua cor, escrevendo a sua cor, louvando a sua cor, gritando a sua cor, bebendo deliciadamente a sua cor, soprando e lançando confetes da sua cor, erguendo ícones da sua cor, ostentando um espelho da sua cor, reflectindo as pessoas nessa sua cor, num sorriso dessa cor... Em simultâneo. E em simultâneo fomos ´enfraquecendo´, baixando, tombando... aproximando-nos cada vez mais uns dos outros... desatando cinto e colar e atando as franjas da vestimenta às franjas de outras vestimentas, formando uma enorme tela arco-íris cobrindo e escondendo um invisível sujeito de vinte e oito indistintos pés e mãos rastejantes ...afastando-se ...acinzentando-se...desaparecendo. A segunda versão da mesma performance -passe a contradição- verificou-se em Coimbra, incluída na `Maratona Cultural da Academia´, na noite de 17 para 18 de Junho de 1977. O GICAP representaria então, uma versão das ´Cores em Performance´onde se optou por abandonar a ´formação do policromático lençol-somatório." Os IV Encontros Internacionais de Arte em Portugal realizados nas Caldas da Rainha promoveram uma versão final, refinada, ou, se se quiser, mais bem conseguida, tomando em conta a opinião aturada de Azevedo. O convite partiu do director artístico Egídio Álvaro. O grupo apresenta-se, pela primeira vez, oficialmente como GIPAC e com ´nome, estética, estratégia e elementos definidos: Túlia saldanha (preto), Teresa Loff (amarelo), Rui Órfão (verde), Ção Pestana (laranja), António Barros (vermelho) e Armando Azevedo (azul). Esta performance já não contaria com a cor branca (José Alfredo) pese embora, posteriormente, em Outubro, uma cor faria retornar o número de cores original, o violeta (Manuela Fortuna). Azevedo fornece-nos, de novo, uma descrição minuciosa da actuação artística: "Dois locais tinham sido anunciados quase para a mesma hora, apenas com a diferença de quinze minutos: a porta do Museu Malhoa e a Praça Central da Cidade. À hora marcada, seis ´farricocos´, cada um vestido completamente de sua cor, apoiando-se num varapau carregando recheado saco, tocando estridente trompeta - tudo da mesmíssima cromia - saem juntos do Museu e juntos se dirigem para a Praça, seguidos de multidão cada vez maior. Vão-se no entanto separando em sucessivos cruzamentos e bifurcações: o vermelho segue a rua vermelha, arrastando adeptos do vermelho; (...) o preto segue a rua preta encantando apreciadores do preto ... E encontram-se todos simultaneamente no mesmo espaço visual - o centro da Praça. E em simultaneidade todos abrem o saco da sua cor e tiram objectos da sua cor. Cada um, durante um longo minuto, lê um livro da sua cor. Depois, exemplificadamente, o azul escreve a azul: O mundo será Azul. Cada um escreve na sua cor. Cada cor pretende impor a sua cor. Cada cor mostra em todas as direcções um cartaz da sua cor. Cada cor espalha aos quatro ventos imagens e palavras da sua cor. Cada cor distribui jornais e panfletos da sua cor. Cada cor come comida da sua cor. E bebe a bebida da sua cor. Cada cor reza as orações da sua cor. Cada cor afasta-se não se sabe para onde, levando atrás de si o cortejo da sua cor e deixando rastos da sua cor." O texto-manifesto, publicado em 1978 com pequenas alterações, fornecer-nos-á, à posteriori, a descrição da performance cristalizada no tempo." "Entrou o CAPC na galeria de Belém, espaço da Alternativa Zero, representado por um pequeno, mas cabalístico agrupamento, já mencionado e identificado em cores e pessoas. Chegamos juntos mas cromaticamente diferenciados, destacados, separados. E mais separados ficámos num grande círculo central, rodeados do público que que cada um de nós tentou captar, seduzir, associar, partidarizar... fazendo, durante longo tempo e dos mais diversos modos e modas, a fanática propaganda do, por exemplo, azul, escrevendo azul, louvando o azul, gritando azul, bebendo deliciadamente azul, soprando e lançando confetes azuis, erguendo ícones azuis, ostentando um espelho azul reflectindo as pessoas em azul, num sorriso azul ..., enquanto ao mesmo tempo, cada uma das outras cores propagandeava a sua cor, escrevendo a sua cor, louvando a sua cor, gritando a sua cor, bebendo deliciadamente a sua cor, soprando e lançando confetes da sua cor, erguendo ícones da sua cor, ostentando um espelho da sua cor, reflectindo as pessoas nessa sua cor, num sorriso dessa cor... Em simultâneo. E em simultâneo fomos ´enfraquecendo´, baixando, tombando... aproximando-nos cada vez mais uns dos outros... desatando cinto e colar e atando as franjas da vestimenta às franjas de outras vestimentas, formando uma enorme tela arco-íris cobrindo e escondendo um invisível sujeito de vinte e oito indistintos pés e mãos rastejantes ...afastando-se ...acinzentando-se...desaparecendo. A segunda versão da mesma performance -passe a contradição- verificou-se em Coimbra, incluída na `Maratona Cultural da Academia´, na noite de 17 para 18 de Junho de 1977. O GICAP representaria então, uma versão das ´Cores em Performance´onde se optou por abandonar a ´formação do policromático lençol-somatório." Os IV Encontros Internacionais de Arte em Portugal realizados nas Caldas da Rainha promoveram uma versão final, refinada, ou, se se quiser, mais bem conseguida, tomando em conta a opinião aturada de Azevedo. Citação de Armando Azevedo Ver Carlos Ruão, "Performance prospectiva portuguesa: O Grupo Cores e o panorama da Performance em Portugal nos anos 70", in António Azenha (coordenador editorial), GICAPC_CORES 76/78", Coimbra: Associação ICZERO, 2010, pp.44-45. Citação de Armando Azevedo Ver Carlos Ruão, "Performance prospectiva portuguesa: O Grupo Cores e o panorama da Performance em Portugal nos anos 70", in António Azenha (coordenador editorial), GICAPC_C=RES 76/78", Coimbra: Associação ICZERO, 2010, pp.42-43.