António Barros, “Enforcamento”, instalação integrada na “Semana da Arte (da) na Rua”, apresentada nas instalações do CAP, entre 30 de Maio e 20 de Junho de 1976.
Programa Círculo de Artes Plásticas
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Abstract
"A “Semana da Arte (da) na Rua”, foi organizada pelo Círculo de Artes Plásticas (CAP), então Secção Cultural da Associação Académica de Coimbra (AAC), entre 30 de Maio e 10 de Junho de 1976, na Praça da República, Coimbra, e nas instalações do CAP [o Círculo]. (1)
“Enforcamento”, um retrato dos tempos, e do lugar sofrido (2), titulou a minha participação. Uma artitude, conceptual, conjugando uma perecível assemblage instalada numa sala toda negra [ver: texto “A Geração Black Cube”, AB, Revista Rua Larga, UC(3)], com reduzida luz sombria, convulsas penumbras, e um ido, ruído resgatado do espaço urbano [tributo ao meu ex-professor R. Murray Schafer, “Paisagem Sonora”].
Da “arte da rua”, na rua encontrada (dada, imposta), procurei capturar do lugar urbano, e social, a condição situacionista [Guy Debord, “O Planeta Doente”]. Mas também a icónica pintura com quem privei, 10 anos antes, nesse desígnio do que é ser um alvo, não de alvura, mas mira. Esse, com a então “guerra colonial” à espera (3). Sobre a colagem da matéria plural, uma mira. Um alvo — branco e negro.
Da rua, do espaço urbano vivido e castigado, do “planeta doente”, transportei tanto do residual encontrado — dos fragmentos avulsos das máquinas, aos óleos da morta combustão queimando a paisagem. Do corpo soluçante, escondido na escuridão, aos dentes arrancados aos maxilares torturados por mastigar o vazio [“ensinava o filho a engolir a saliva, para iludir a fome”, AB, https://poex.net/taxonomia/transtextualidades/metatextualidades-autografas/antonio-barros-um-outro-desenho-do-vulto/].
(1). Só no Ano de Actividade 1979-80, o CAP-Círculo de Artes Plásticas, Secção Cultural da AAC, transita para Organismo Autónomo da Academia de Coimbra, assumindo o acrónimo de CAPC [Círculo de Artes Plásticas de Coimbra], parte integrante da Universidade de Coimbra (UC). Em 1980 foram fundadores do CAPC [Organismo Autónomo, na UC] os então sócios: Alberto Carneiro, António Barros, Túlia Saldanha, Maria Ralha, e. o.
(2). “O MAL HOMEM CULPADO HOMEM SOFRIDO”, Jerôme Porée, IUC.
(3). https://po-ex.net/taxonomia/transtextualidades/metatextualidades-autografas/antonio-barros-na-frente-da-cultura-plastica/
(4). Assisti à construção desta pintura aquando a “residência” de Areal no Museu da Quinta das Cruzes, no Funchal, onde meu pai, Alfredo Barros, com António Aragão integrou a Administração e fundação deste museu que divulgou, a seu tempo, Arte Contrmporânea. Esta pintura, com quem privei na minha então casa, na ilha da Madeira, hoje integra a colecção do MUDAS.museu [Museu de Arte Contemporânea da Madeira]."
Texto de António Barros enviado via email a 28/06/2026