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Maria José Oliveira, série fotográfica "No princípio era a concha da mão", 1978.

"(...) Esta aparente contradição do fazer e refazer cíclico das práticas iniciáticas, que envolvem a repetição de gestos esquecidos e a devolução da sua atenção ao conhecimento secreto das coisas, está presente no ritual de “descascar a maçã”. Ele lembra uma instalação de Maria José Oliveira, composta por 24 fotografias [de Sérgio Pombo] pertencentes à Colecção de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, intitulada “No Princípio Era a Concha da Mão” (1978), em que a ancestralidade dos gestos da mão evoca a sua essencial capacidade para reter um elemento tão fugaz como a água. A mão e a ancestral aprendizagem da preparação dos alimentos para os levar à boca são condições básicas da sobrevivência humana, valorizada pela qualidade alquímica dos gestos. Gestos através dos quais é possível comunicar e sobreviver, como os de agarrar e reter, dar e receber, ou o da lavagem das mãos, que agregam significados e que ganharam hoje, no contexto da pandemia que atravessamos, um outro sentido de emergência. (...)" Paula Pinto, "Cuidar, Arquivo de Gestos", in Leonorana N.4, Porto 2020, pp.35-37.

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Direitos
Maria José Oliveira, nasceu em Lisboa em 1943. Realizou o Curso de cerâmica no IADE (1973-1976). Frequentou o ateliê de escultura do ARCO em 1978/1979. Bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian em 1991. Subsídio de trabalho na Fundação Calouste Gulbenkian em 1996 para exposição no Museu de Arte Antiga: “Dimensões – Da Vida da Terra” em 1999. Professora convidada no Departamento de Cerâmica do AR.CO 1991/95. Prémio Intemacional de Arte contemporânea de Monte Carlo, Mónaco. Está representada em vários Museus e colecções particulares.